Há quase dois mil anos, o mundo espera. Depois de Jesus Cristo, nenhum novo messias surgiu — nem no cristianismo, nem em qualquer registro que a maioria das tradições reconheça como profecia cumprida. Antes dele, os intervalos entre profetas e figuras messiânicas variavam de décadas a poucos séculos. Depois dele, silêncio absoluto.

Esse hiato levanta uma pergunta que atravessa séculos de teologia: por que ninguém mais surgiu depois de Jesus? Para responder, é preciso voltar no tempo e caminhar por toda a linha que liga Moisés a João Batista.

O que significa ser um "ungido"

Na tradição bíblica, a palavra messias vem do hebraico e significa "ungido". Reis, profetas e sacerdotes do Antigo Testamento recebiam óleo sobre a cabeça como ato de consagração — um sinal de que haviam sido separados para uma missão específica.

Cada um desses ungidos, no entanto, também funcionava como sombra de algo maior. A tradição cristã lê essas figuras como preparação para um Messias definitivo, aquele que cumpriria de forma plena o que os outros apenas anunciavam em parte.

De Moisés a Daniel, uma sucessão quase constante

Moisés abre essa linha por volta do século 13 antes de Cristo, quando conduz o povo hebreu para fora do Egito e recebe a Lei no Monte Sinai. Um século depois, Josué toma a liderança e conquista a Terra Prometida. Mais dois séculos, e Samuel unge os primeiros reis de Israel: Saul e Davi.

Davi e Salomão consolidam o reino e erguem o Templo de Jerusalém. Depois vêm os profetas maiores — Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel — cada um em meio a crises, exílios e impérios estrangeiros, mas todos mantendo viva a promessa de um Messias por vir. Entre um e outro, os intervalos raramente ultrapassam dois séculos.

Quatro séculos sem uma única voz

Depois de Daniel, a Bíblia entra no que os estudiosos chamam de período intertestamentário — cerca de quatrocentos anos sem nenhum profeta reconhecido em Israel. É o primeiro grande silêncio da história bíblica, e ele precede diretamente a chegada daquele que o cristianismo considera o cumprimento da promessa.

Esse hiato de quatro séculos já era, na época, motivo de angústia e expectativa. O povo aguardava um sinal que não vinha — até que ele veio, na forma de um homem vestido de peles, pregando no deserto.

João Batista, Jesus, e o silêncio que já dura dois mil anos

João Batista surge por volta do ano 30 depois de Cristo como elo entre o Antigo e o Novo Testamento. Ele mesmo se descreve não como a luz, mas como testemunha da luz — o último a preparar caminho antes da chegada do Messias.

Jesus nasce por volta do ano 4 antes de Cristo e é crucificado ao redor do ano 30. Para o cristianismo, ele encerra a linha: não é mais um ungido entre outros, mas o cumprimento final da promessa. É exatamente aí que o padrão histórico se rompe. Depois de Jesus, o intervalo que antes durava séculos passa a durar quase dois milênios — e continua.

Esse silêncio tem explicações diferentes dependendo da tradição que se consulta, e é exatamente esse ponto — o que esse hiato significa sobre o tempo de Deus e a fé de quem espera — que o vídeo completo desenvolve com mais profundidade.

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Este artigo cobre os pontos principais, mas o vídeo vai muito além — com exemplos, perspectivas e profundidade que não cabem aqui.

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